sexta-feira, 5 de setembro de 2008

A Lenda de Dom Fuas Roupinho


De acordo com a tradição, a imagem de Nossa Senhora da Nazaré teve origem em Nazaré na Galiléia, e representa a Virgem Maria, tendo em seus braços o Menino Jesus segurando uma esfera azul. A estátua, entalhada em madeira e identificada como original, percorreu a cristandade até surgir em Nazaré (Portugal) quando, no século XII, se tornou símbolo de fé do cavaleiro D. Fuas Roupinho.

Diz a Lenda da Nazaré que na manhã de 14 de Setembro de 1182, encontrando-se momentâneamente a região em paz com os mouros, D. Fuas Roupinho andava à caça, desporto de sua especial predileção.
Quando em perseguição a um cervo, em algumas versões uma materialização do próprio demônio, este se dirigiu a uma falésia no sítio da Nazaré, encoberto por um denso nevoeiro que, de súbito, se levantou.
Tarde demais, o cavaleiro se deu conta do perigo de morte. Sentindo-se perdido, rogou, num grito desesperado, à Virgem Maria: Senhora, valei-me!
Imediata e milagrosamente, surgem-lhe a Senhora e o Menino, fincando-se as patas traseiras do cavalo na rocha, salvando o cavaleiro e sua montada da morte certa, enquanto que o cervo (que se revela um demônio) e os cães se precipitam no oceano abaixo.
Em preito de gratidão, o nobre fez erigir no local uma capela em homenagem à Virgem que o teria salvo da morte, que se tornou conhecida como Capela da Memória. Mais tarde, em 1377, o rei D. Fernando (1367-1383) fez ampliar a capela, elevada à condição de matriz.
A popularidade dessa devoção, à época dos Descobrimentos portugueses, era tamanha entre as gentes do mar, que tanto Vasco da Gama, antes e depois da sua viagem às Índias, quanto Pedro Álvares Cabral, que viria a descobrir o Brasil, vieram em peregrinação à Senhora de Nazaré. Até hoje, a tradição aponta aos visitantes as marcas das ferraduras onde as patas do cavalo teriam se fincado milagrosamente na rocha, naqueles montes.

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